sou testemunha do que o corpo nos faz
sou cúmplice dos nossos nós
sou vítima de nossos próprios réus
sou acusação sempre que fala meu coração.
abro mão de minha defesa:
"meu corpo é testemunha do bem que me faz"
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
por carolina garrido
sexta-poesia
vejo os Homens como pequenos insetos
é seu mínimo que conduz meu olhar
prefiro
pessoas com piolhos
vermes
nuvens
uma comunidade dentro de um organismo
é o que desinteressa que me agrada
vejo os Homens como pequenos insetos
é seu mínimo que conduz meu olhar
prefiro
pessoas com piolhos
vermes
nuvens
uma comunidade dentro de um organismo
é o que desinteressa que me agrada
guenta
frequenta-me
e frequenta-me tudo
da cozinha
corte as cebolas
enquanto rego os gerânios
enquanto as famílias se arrebanham
da feira
aperte os tomates
enquanto encaminho as uvas
enquanto se infantam as crianças
do solo
encontre as raízes
enquanto rezo o húmus
enquanto se nutrem os pombos
freqüenta-me o bar
e frequenta-me tudo
da cozinha
corte as cebolas
enquanto rego os gerânios
enquanto as famílias se arrebanham
da feira
aperte os tomates
enquanto encaminho as uvas
enquanto se infantam as crianças
do solo
encontre as raízes
enquanto rezo o húmus
enquanto se nutrem os pombos
freqüenta-me o bar
freqüenta-me a mesa
freqüenta-me o reino pulsante de pele
frequenta-me a tempo
a tempo de antes do vento
frequenta-me a tempo
a tempo de antes do vento
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
carpir, coser e letrar
lá na segunda-feira morava uma cidade
com barulhos cheios de avenidas
céus azuis cheios de sóis de inverno
nas faixas meninos de gel e terno
doutores que dissecam de(lírios)
mentes a quem nem podem enganar
galerias dentro de livros-poesia
de recheios de palavras a carpinejar
malas de aviões cumbicos
trens a energia lunar
costureiras de coser os dias
para ao fim ter a semana para entregar
lá no sábado a costura termina
quando tem um povo pronto para serhumanizar
com barulhos cheios de avenidas
céus azuis cheios de sóis de inverno
nas faixas meninos de gel e terno
doutores que dissecam de(lírios)
mentes a quem nem podem enganar
galerias dentro de livros-poesia
de recheios de palavras a carpinejar
malas de aviões cumbicos
trens a energia lunar
costureiras de coser os dias
para ao fim ter a semana para entregar
lá no sábado a costura termina
quando tem um povo pronto para serhumanizar
não kai
na fórmula de três dois é melhor que seis
somos eu, você e nós, dando nó a três
duas vezes ceis são os nós menos três
somos eu, você e nós, dando nó a três
duas vezes ceis são os nós menos três
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
papi
Pai, tu nunca vais,
por eu deixar-te ir.
Tenho sempre que lembrar-te,
de tanto amor que me sobra para dar.
Amores estes recheados de gestos do teu jeito de olhar.
Tenho sempre que lembrar-te,
da dureza que ensinaste de como as coisas são.
Hoje são as dores que de alguma maneira sei que não me matarão.
Tenho sempre que lembrar-te,
do mundo como tu me apresentaste.
Mundo de céus azuis, sonhos, bicicletas sem rodinha sobre a grama.
Tenho sempre que lembrar-te,
das etapas que tu comigo comemoraste.
Há escondida alguma certeza de que conseguirei, quase sempre.
Tenho sempre que lembrar-te,
cada casa
cada lágrima
cada saudade
cada lembrança
é um jeito de homenagear-te.
Sempre tenho que lembrar-te,
pois todos os dias no espelho
tu apareces refletido em mim.
por eu deixar-te ir.
Tenho sempre que lembrar-te,
de tanto amor que me sobra para dar.
Amores estes recheados de gestos do teu jeito de olhar.
Tenho sempre que lembrar-te,
da dureza que ensinaste de como as coisas são.
Hoje são as dores que de alguma maneira sei que não me matarão.
Tenho sempre que lembrar-te,
do mundo como tu me apresentaste.
Mundo de céus azuis, sonhos, bicicletas sem rodinha sobre a grama.
Tenho sempre que lembrar-te,
das etapas que tu comigo comemoraste.
Há escondida alguma certeza de que conseguirei, quase sempre.
Tenho sempre que lembrar-te,
cada casa
cada lágrima
cada saudade
cada lembrança
é um jeito de homenagear-te.
Sempre tenho que lembrar-te,
pois todos os dias no espelho
tu apareces refletido em mim.
domingo, 8 de agosto de 2010
poema provisório
Há no mundo domingos ensolarados e azuis
há parques com famílias e crianças
há restaurante e carne à mesa
há bochechas e sorrisos
há pais e há tios
Há no mundo apartamentos com vistas claras
há pôr-do-sol na janela
há jazz na sala de estar
há silêncio a ser ouvido
Há no mundo casas com corpos bem alimentados
há cabelos hidratados
há beijos amorosos
há colos quentes
há uma boa educação
há pro almoço macarrão
Há no mundo kitchinetes no centro
há esquina com botecos
há pivetes engraxates
há dívidas bancárias
há amigos escassos
Há no mundo janelas estreitas
há barulho de carros
há cenário de prédios
há bebida barata
há a mesma comida
há mãe indefinida
Há lugares com corpos que se cruzam
se afagam tão rápido
se doem nas pernas
se cruzam os braços
se abrem os sapatos
Há nesse mundo vai-e-vem
há de onde se vem
há pra onde se vai
há onde existe paz
há quando onde não se há
há parques com famílias e crianças
há restaurante e carne à mesa
há bochechas e sorrisos
há pais e há tios
Há no mundo apartamentos com vistas claras
há pôr-do-sol na janela
há jazz na sala de estar
há silêncio a ser ouvido
Há no mundo casas com corpos bem alimentados
há cabelos hidratados
há beijos amorosos
há colos quentes
há uma boa educação
há pro almoço macarrão
Há no mundo kitchinetes no centro
há esquina com botecos
há pivetes engraxates
há dívidas bancárias
há amigos escassos
Há no mundo janelas estreitas
há barulho de carros
há cenário de prédios
há bebida barata
há a mesma comida
há mãe indefinida
Há lugares com corpos que se cruzam
se afagam tão rápido
se doem nas pernas
se cruzam os braços
se abrem os sapatos
Há nesse mundo vai-e-vem
há de onde se vem
há pra onde se vai
há onde existe paz
há quando onde não se há
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
pingado e pão com manteiga
pro almoço uma massa caseira
faz-se em sampa uma terça-feira
há na praça um municipal fechado
sobre os meninos a aurora e o asfalto
sob um mesmo céu acinzentado
nas terras empilham-se os tijolos
e as moças limpam a poeira dos olhos
mas dos pães tiram os miolos
todo dia nasce ela na janela
de feiúra toda bela,
loira
morena
ou toda ruiva como ela
pro almoço uma massa caseira
faz-se em sampa uma terça-feira
há na praça um municipal fechado
sobre os meninos a aurora e o asfalto
sob um mesmo céu acinzentado
nas terras empilham-se os tijolos
e as moças limpam a poeira dos olhos
mas dos pães tiram os miolos
todo dia nasce ela na janela
de feiúra toda bela,
loira
morena
ou toda ruiva como ela
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
ano do(ído)
Esse ano foi um ano pra lá de abusado,
se é que eu bem me tenho recordado.
Quase nada comprado,
tudo sempre apertado.
O que se teve foi muito usado,
pagando-se juro pra lá de aumentado.
Tudo o que passou foi suado
foi sofrido
foi chorado
e sorrido.
Todos que passaram foram jurados
amados
surrados
e idos.
Trabalhos bem feitos,
embora mal-pagos.
Tempos preciosos,
ora desperdiçados.
Sobra um safo,
com todos os anos passados,
ao fim do longo ano ido.
se é que eu bem me tenho recordado.
Quase nada comprado,
tudo sempre apertado.
O que se teve foi muito usado,
pagando-se juro pra lá de aumentado.
Tudo o que passou foi suado
foi sofrido
foi chorado
e sorrido.
Todos que passaram foram jurados
amados
surrados
e idos.
Trabalhos bem feitos,
embora mal-pagos.
Tempos preciosos,
ora desperdiçados.
Sobra um safo,
com todos os anos passados,
ao fim do longo ano ido.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
blasé
vá, vá quando quiser
fique também, caso queira
se ficar, que seja à vontade
use, use a xícara
dessa casa abuse
se quiser se lambuse
se não souber
faça o que quiser
nem ligue, nem tome, nem ame
se for faça certo
peça licensa, avise-me a tempo
de eu me haver com esse negócio que cresce aqui dentro.
fique também, caso queira
se ficar, que seja à vontade
use, use a xícara
dessa casa abuse
se quiser se lambuse
se não souber
faça o que quiser
nem ligue, nem tome, nem ame
se for faça certo
peça licensa, avise-me a tempo
de eu me haver com esse negócio que cresce aqui dentro.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
abrobas
Tem a tranquilidade estranha de um feijão cozinhando,
tendo como certo o destino em ser grão na água que ferve.
O arroz resignado, entregue a toda sorte de ser o que se é.
As abóboras nunca se sabem doces ou salgadas.
A casa continente desse vapor quente, numa manhã um tanto diferente,
pouco entende sobre sua própria gente.
Dessas gentes que chegam para o almoço, mas se vão no jantar.
tendo como certo o destino em ser grão na água que ferve.
O arroz resignado, entregue a toda sorte de ser o que se é.
As abóboras nunca se sabem doces ou salgadas.
A casa continente desse vapor quente, numa manhã um tanto diferente,
pouco entende sobre sua própria gente.
Dessas gentes que chegam para o almoço, mas se vão no jantar.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Com você achei que havia apenas aquelas músicas para escutar,
quando para nós não havia mais baile para dançar.
Tínhamos somente uma história de sempre,
depois descrente, não vi mais semente.
O futuro se tornava hoje a cada manhã,
quando se escorria a esperança no amanhã.
Passava um domingo de chuva, um domingo de sol,
até que a semana se esturricasse no varal.
E se secasse a fronha.
E se fosse a mesa.
E se caísse a folha
de uma vida inteira.
quando para nós não havia mais baile para dançar.
Tínhamos somente uma história de sempre,
depois descrente, não vi mais semente.
O futuro se tornava hoje a cada manhã,
quando se escorria a esperança no amanhã.
Passava um domingo de chuva, um domingo de sol,
até que a semana se esturricasse no varal.
E se secasse a fronha.
E se fosse a mesa.
E se caísse a folha
de uma vida inteira.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
3 letras
Não me venha com essa cara tão limpa
com essa alegria amarela
com essa camisa singela
Não me olhe assim tão insípido
com essa córnea límpida
com esses dedos vívidos
Não me coma com tantos dentes
com essa tez tão contente
com essa fome premente
Não, aqui dentro não podes ver.
com essa alegria amarela
com essa camisa singela
Não me olhe assim tão insípido
com essa córnea límpida
com esses dedos vívidos
Não me coma com tantos dentes
com essa tez tão contente
com essa fome premente
Não, aqui dentro não podes ver.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
qual, qual é?
qual o problema em te espiar quando não me vês?
qual o problema em colecionar os seus tiques?
qual o problema em querer o sujo do seu all star?
qual o problema em me emaranhar nos teus filmes?
qual o problema em te esperar na sala de estar?
qual o problema em te desejar flores?
qual o problema em ainda te esconder as dores?
qual o problema em te dedicar todos os meus amores?
sem problemas, é só provar!
qual o problema em colecionar os seus tiques?
qual o problema em querer o sujo do seu all star?
qual o problema em me emaranhar nos teus filmes?
qual o problema em te esperar na sala de estar?
qual o problema em te desejar flores?
qual o problema em ainda te esconder as dores?
qual o problema em te dedicar todos os meus amores?
sem problemas, é só provar!
terça-feira, 29 de junho de 2010
simple heart
prefiro te olhar por centímetro
pensar com seu cheiro
ouvir teu sorriso
gosto de roubar alguns beijos
sugar teus segredos
respirar no teu ritmo
ando pronta a te lembrar
que já não posso esperar
o e(terno) de te encontrar
para de novo te olhar
de novo te:
novo-te
que tal:
eu vou-te,
tu venha-me!
domingo, 27 de junho de 2010
Há um coração a cada esquina,
que em cada batida arranca-me a luz do dia.
Por simplesmente ter um dia amado e deixado a dúvida.
A verdade que duvida que o amor se foi.
O que sobrou no meio dessas ruas?
Enquanto isso a manhã repassa as geografias percorridas,
em teimosia de uma lembrança secular.
Ensina-me a suportar, ensina-me a ensinar,
esse meu confuso coração a bater sem purular,
como se nunca mais pudesse saber o que é amar.
que em cada batida arranca-me a luz do dia.
Por simplesmente ter um dia amado e deixado a dúvida.
A verdade que duvida que o amor se foi.
O que sobrou no meio dessas ruas?
Enquanto isso a manhã repassa as geografias percorridas,
em teimosia de uma lembrança secular.
Ensina-me a suportar, ensina-me a ensinar,
esse meu confuso coração a bater sem purular,
como se nunca mais pudesse saber o que é amar.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Anoitece
(versão final musicada por Tamis Parron )
um dia ainda te guardo no armário
um dia ainda te passo a fita
um dia engarrafo teu cheiro
um dia te enrosco na pia
um dia ainda te aqueço no espelho
um dia ainda te tranço as cadeiras
um dia a gente conta os cabelos
um dia a gente ainda se adia
ó, um dia, grandíssimo moço
você, um dia, com olhinhos de tolo
um dia você ainda me chama no escuro
um dia você me apela na noite
a noite que será de todo dia
domingo, 30 de maio de 2010
acontecia na noite - anoitecia
um dia ainda te guardo no armário
um dia ainda te passo a fita
um dia ainda engarrafo seu cheiro
um dia ainda te enrrosco na pia
um dia ainda te asso no forno
um dia te traço com margarina
um dia, grandissímo bom moço
um dia, você com olhinho de tolo
um dia você ainda me chama no escuro
um dia você me apela na noite
a noite que será todo dia
um dia ainda te passo a fita
um dia ainda engarrafo seu cheiro
um dia ainda te enrrosco na pia
um dia ainda te asso no forno
um dia te traço com margarina
um dia, grandissímo bom moço
um dia, você com olhinho de tolo
um dia você ainda me chama no escuro
um dia você me apela na noite
a noite que será todo dia
segunda-feira, 17 de maio de 2010
segunda-poesia
a lua andava pela rua
abdusida pela mansidão da noite escura,
trupicando em estrelas despencadas e
em nuvens moribundas esparramadas.
fumaças entre as curvas da esquina
revelaram (com o passar das horas) à primeira fita -
encarnecida, guardando a noite ainda em seus lilases -
o sol, no auge de ser métrico e círculo
quando então ouro e prata se puseram a caminhar
em forças opostas, sem nunca poderem se encontrar,
mesmo que sempre tentados pela tentação de se arruinarem
pelos seus brilhos adversários.
abdusida pela mansidão da noite escura,
trupicando em estrelas despencadas e
em nuvens moribundas esparramadas.
fumaças entre as curvas da esquina
revelaram (com o passar das horas) à primeira fita -
encarnecida, guardando a noite ainda em seus lilases -
o sol, no auge de ser métrico e círculo
quando então ouro e prata se puseram a caminhar
em forças opostas, sem nunca poderem se encontrar,
mesmo que sempre tentados pela tentação de se arruinarem
pelos seus brilhos adversários.
poesia de terça
com você quero
cama mesa e banho
com você quero
barba cabelo e bigode
com você quero
lavá enxugá e guardá
com você fico
com riso frouxo
perna bamba e
zóio troncho
a alma nua
a boca crua
a carne pura.
nada menos que três,
três beijos
três vidas
três dias sem ver a luz do dia
nós três:
eu
você
e nós, dando nó.
cama mesa e banho
com você quero
barba cabelo e bigode
com você quero
lavá enxugá e guardá
com você fico
com riso frouxo
perna bamba e
zóio troncho
a alma nua
a boca crua
a carne pura.
nada menos que três,
três beijos
três vidas
três dias sem ver a luz do dia
nós três:
eu
você
e nós, dando nó.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
ocupação
queria ocupar-me de um fazer simples,
que me desse a vez de passar o dia,
que me desse a vez de passar o dia,
sentindo brasas mínimas de alegrias
um fazer desresponsável,
que comesse o passar das horas
que comesse o passar das horas
e trouxesse o ordenado na sua hora
remover as rosas mortas dos vasos do tempo
servir beleza aos rapazes dos cafés de paris
remover as rosas mortas dos vasos do tempo
servir beleza aos rapazes dos cafés de paris
recolher as letras para dentro dos livros
soar o sino da catedral erguida sobre o ouro antigo de nossas minas
e assim esquecesse um pouco da minha alma roubada e cotidiana
e assim esquecesse um pouco da minha alma roubada e cotidiana
terça-feira, 11 de maio de 2010
a lógica de ana, analógica
íamos menos ao analista quando escrevíamos cartas uns aos outros, longas cartas.
um manuscristo é um retratar-se sem rascunho.
não raro (se escritas com talento) as cartas
resultaram em belos livros de correspondências e biografias.
deixe a senha do email no testamento então...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
lugarejar
sempre estive lá,
mesmo sem saber muito da natureza falar.
sempre estive nas palavras de todas as esquinas,
mesmo às vezes imersa na fumaça da rua.
sempre estive chatamente na hora marcada,
mesmo defasada pelas noites perdidas.
sempre estive envolta dos objetos vivos,
mesmo que encaixotada numa rotina.
sempre estive nessas letras que me escondem,
mesmo morando dentro de você.
estou sempre aqui onde estou, apesar de você.
mesmo sem saber muito da natureza falar.
sempre estive nas palavras de todas as esquinas,
mesmo às vezes imersa na fumaça da rua.
sempre estive chatamente na hora marcada,
mesmo defasada pelas noites perdidas.
sempre estive envolta dos objetos vivos,
mesmo que encaixotada numa rotina.
sempre estive nessas letras que me escondem,
mesmo morando dentro de você.
estou sempre aqui onde estou, apesar de você.
domingo, 2 de maio de 2010
cor da tarde
A luz é amarela por simplemente anuciar-se só nesta tarde festeira.
Há o sino que assassina o silêncio e transforma os fluidos em cores suaves.
O livro aberto fala lá para dentro sobre os subúrbios embaixo de nós mesmos.
Por ser só, já matei minha fome de gente e permito que a noite escorra pelo poente.
Há o sino que assassina o silêncio e transforma os fluidos em cores suaves.
O livro aberto fala lá para dentro sobre os subúrbios embaixo de nós mesmos.
Por ser só, já matei minha fome de gente e permito que a noite escorra pelo poente.
Primeiro de maio
Abril foi um mês que ninguém viu - fechou as aspas.
Houve mentira em primeiro de abriu e quem não viu mentiu.
Houve mentira em primeiro de abriu e quem não viu mentiu.
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