que eu quisesse
sábado, 25 de dezembro de 2010
herança
que eu quisesse
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
amor de pelô
eu nem pensava
que eram tão brancas
as tetas pretas
eu pensava
que mais branca
era a carta
que enegreceria
minha alforria
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
farinha de milho
no rádio deve tocar aquela do rei
H2O
gozo transpirado,
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
cheios e receios
e não há nada mais mundano
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
conto sem fada
mas um amor
que preenche
alguns cômodos
e acomoda
incômodos
domingo, 5 de dezembro de 2010
pelos pelos da perna
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
sorvete
gosto de construir
ou quando ficas
bibir la bida
terça-feira, 30 de novembro de 2010
dezembro chove?
terça-feira, 23 de novembro de 2010
oração ao são joão das bolas perdidas
gole
a pequena colher
- com o resto líquido -
descansa sobre a pia
sem pires
passados que te pertenciam
domingo, 21 de novembro de 2010
oxi
misi fi
é muita mandinga trazê ocê pra mim
haja vela vermeia na encruzilhada
num presta enterrá santo antônio
terreiro diz que já não vale mais
caboclo afirma que já pegô catimbó
amor de um
quando não tem dois
não há galo, galinha, ou melaço
que desata todo esse nó!
domingo poesia
será que deixei de nascer de mim?
quando será que o poeta vem?
trabalha em feriado santo?
a palavra brota bruta?
a frase já vem riscada?
neruda escrevia sentado?
drummond batia à máquina?
escrever é do tipo que se aprende?
ou será talento que vem de fábrica?
será que não sou mais eu?
ou torno-me em minhas palavras?
em todo caso assino hoje como Clara.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
post
guardo aqui
sem tirar o pó
um postal
escrito lá
para você
lá de longe
você noutra
eu na tua
nunca leu
nunca viu
nem sabe
nem eu sei
quando foi
que o amor
pelo mapa
se perdeu
um postal
sem endereço
sem leitor
colado agora
no mural
no avesso
só a cola
ninguém vê
teu texto
tuas lágrimas
só vêem
tuas terras
fotografadas
ao longe
numa Itália
poente e só.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Bamba
Sujei no samba meu novo sapato
agora com que cara vou pro trabalho?
Foi muvuca, vuco-vuco, esfrega-esfrega
umas branca
umas preta
uns bamba
Umas geladas, suor, empurra-empurra
uns pisões
uns amassões
uns chacoalha
Foi cantoria, foi roda de causo
tinha amigo, tinha hómi, tinha caso
Pandeiro, surdo,
cuíca e política
Sete corda, atabaque,
Agogô e amor
Ai ai ai quanta euforia.
Se sua sola dissesse,
meu pé nunca esquecia.
e o chefe nem se abatia.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Café e prosa
As quenturas se dividem nas cobertas. Os cheiros se fundem - é você de cheiro de mim.
Os encaixes estabelecidos tornam os dias menos fúteis e os afazeres menos inúteis.
Fase dos olhos que enxergam antes o que a boca não vê durante a conversa.
Cala a língua de gosto insosso quando se dorme um sono de gosto comum.
Os objetos testemunham o balé de corpos que se conhecem mais do que a própria carne.
As falas ecoam os corredores pendurados de neologismos e dialetos de países de um habitante só.
As cadeiras acomodam as dores gastas para que as pernas bailem melhor.
Assim livres chinelem os pés da cozinha para a sala, da sala para o quarto, do quarto para o banheiro, do banho para a vida.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
filhote de peixe
terça-feira, 5 de outubro de 2010
boca do estômago
Estou para abraços, miados e arranhões
Não estou para chatos e bobalhões
Estou para bagunças e confusões
Não estou para fundo falso
Não estou para retrato
Não estou para miséria
Não estou para dieta
Estou para sonhos
Estou para amassos
Estou para poucos
Estou para engodos
Não estou para estar
(crescem proporcionalmente)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
pelo poro
Conheço seu antebraço
mais do que você pensa
Acordo seus pelos
pelo sabor de uma vida
Inundo sua quarta-feira
pra parar de bobeira
Visto ao contrário a camisa
para ver de perto seus poros
Embalo os cheiros
Envergo as noites
Chovo a cidade
Só pra mostrar que sei
mesmo que só tenha ainda
o sabor do saberei.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
pela pele
Sobre o colo, constelação de pintas
Sobre as ancas, tilintar de quadris
Sob os pés, geografias psicológicas
Sob a cabeça, espremidos pensamentos
Sob a guela, abafadas lutas
Sob o peito, coração líquido
Sob as veias, rios de sonhos
Sobre o mundo, giros.
Sobre corpos, nascem.
domingo, 19 de setembro de 2010
guarda roupa
Etiquetei as letras
Dobrei os discos
Fracionei as blusas
Encabidei vestidos
Sacrifiquei calcinhas
Pendurei as ancas
Troquei as calças
Emaranhei as mangas
Tranquei colares
Misturei os brincos
Vesti as alças.
No armário, ao fundo,
o par de meias ainda me olha.
Não sei mais que verbo andar.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Vinis
Num domingo qualquer de pais e mães, em casas com tempos parados e ares de berço.
Os afetos aqui analógicos, se fixam. Retrocedem a tecnologia.
A cada passo pra frente sinto que posso ir mais e mais pra trás.
Esse é o dia em que a vitrola tocou e retocou as paredes das minhas reprises.
Enquanto permanecem na sala esses homens bases de minhas marquises.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
habeas corpus
sou cúmplice dos nossos nós
sou vítima de nossos próprios réus
sou acusação sempre que fala meu coração.
abro mão de minha defesa:
"meu corpo é testemunha do bem que me faz"
terça-feira, 31 de agosto de 2010
por carolina garrido
vejo os Homens como pequenos insetos
é seu mínimo que conduz meu olhar
prefiro
pessoas com piolhos
vermes
nuvens
uma comunidade dentro de um organismo
é o que desinteressa que me agrada