Começou assim, devagarzinho, pelo meu dedinho.
Invadiu meus pés, subiu pelas pernas, que endureceram, desesperadas.
Meu tronco, seios, braços e mãos.
Agora os tenho alvos, gélidos neste híbrido morto-vivo.
As costas debaixo do vestido verde claro não dobram mais.
As dobras joelhos e cotovelos ainda articulam, uma parte com outra.
Bem como as dos quadris.
Quando então tu me colocas sentada ou em pé; mas sempre escolhes.
Escuto quão linda eu sou, de tão exato os caquinhos foram colados, de tão perfeitas as curvas, redondos, giros e cores.
Esquecem-me gente de tão coisa que me pareço. De gente faço sentimento, pensamento e falo.
Falo parada, fico com o conforto do não agir, do sem confronto.
Desde anteontem parou no meu pescoço. É de subir.
Cabeça de pessoa, com boca, narinas, orelhas e orifícios. Por enquanto recoberta de pele, quentura e tecitura.
Ainda decido se me resigno ou se sofro, ou se morro antes.
Procuro o Gepeto que me rogou o feitiço ao contrário.
Até lá preparo minha estante, onde moro como coiseira.
Porque desconfio mesmo que até a vida inteira viro de porcelana inteira.
Confiro agora meu sapato, sapato de boneca.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
my world
My world is beautiful
Moro aqui e acolá
My world is beautif
Pago bebida barata,
gasto onde urgia.
Urgente eu nascia.
My world is beauti
Minha paisagem é o centro,
mas compartilho o interior da burguesia.
Ode ao anonimato e à alforria.
My world is beaut
Não acompanho a tecnologia,
moro estrangeira, na pátria-tempo que você não entende.
Permaneço no filme antigo,
ao som prosaico da radiola.
My world is (you know)
Espaço de coisa maior do que de gente,
gente desde que coisa. Coisa eminente.
My world
Desodoriza pensamentos que não cabem
Cabo
Assim, despencante
Eu tenho a parte de um
Hum mil
Agonizante
Desafino, there.
domingo, 29 de março de 2009
Abriu meu baú e em meus sonhos remexeu
Engarrafou minha solidão e escondeu no mar do seu coração
Vestiu meu jeans azul, como se não fosse meu
Experimentou meu destempero que tem cor de açafrão
Dei-lhe minha cama e meu cheiro
Compreendi sua fama em seu beijo
Emprestei minha escova e tempero
Usei sua camisa em dias inteiros
Cozinhei seus grãos
Abri seus potinhos
Sambou em meus vãos
Desatinou meus caminhos
Engarrafou minha solidão e escondeu no mar do seu coração
Vestiu meu jeans azul, como se não fosse meu
Experimentou meu destempero que tem cor de açafrão
Dei-lhe minha cama e meu cheiro
Compreendi sua fama em seu beijo
Emprestei minha escova e tempero
Usei sua camisa em dias inteiros
Cozinhei seus grãos
Abri seus potinhos
Sambou em meus vãos
Desatinou meus caminhos
segunda-feira, 16 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
woman
minhas sardas e rugas
minhas saias sem nesga
minha brancura com olheiras
você vem e me toma pelo que pareço
meus tons vivos
meus sons graves
meus dons inexplicáveis
você me retoma quando anoiteço
meu doce café
meu bom tempero
meu extraordiário pé
você me adora quando te teço
estou tua,
sempre que pela manhã caminho nua
na nossa imaginada e exclusiva rua.
minhas saias sem nesga
minha brancura com olheiras
você vem e me toma pelo que pareço
meus tons vivos
meus sons graves
meus dons inexplicáveis
você me retoma quando anoiteço
meu doce café
meu bom tempero
meu extraordiário pé
você me adora quando te teço
estou tua,
sempre que pela manhã caminho nua
na nossa imaginada e exclusiva rua.
tela
Explodiu o vazio em imagem, mas o balde continuou cheio.
Desta minúscula partícula celular particular não livra-te tão fácil.
Lutando na eco cincundante para sobreviver,
ao menos até o dia de partir, cujo tempo é pura incógnita.
Tempo de ter o que não há de se fazer,
nesta existência tão ausente de cores.
Escolheu hoje o preto, branco e vermelho.
Com palavras opacas, borradas, manchadas e difíceis de ler.
Era tinta vermelha, aquela que trouxe sangue à monotonia;
cinzenta, preta, e borrão de branco sobre o branco deste destino papel.
Mostrou hoje a pequena tela do que se resume a vida.
Em ondas que descendem ao nada e ascendem da linha da cor mais sem cor.
Não voltei do mar, que em olhar tornou líquida a dor.
Testemunhou a própria cor em palavrório e pincelada,
assim esbravejou a própria dor.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Dia do fico
Só fico se jurares que desta casa nunca uma lasca da parede se desprenderá
Nenhum garfo há de escurecer
O telhado não há de pingar
Planta não murchará
Lágrimas sem transbordar
Fome não assolará
Nem jogados
Nem pobres
Encolhidos
Doentes
Nem sem
Se mentires direito juras impossíveis
Mesmo que já sei o que escondes
Ficarei.
Senão,
fico só.
Nenhum garfo há de escurecer
O telhado não há de pingar
Planta não murchará
Lágrimas sem transbordar
Fome não assolará
Nem jogados
Nem pobres
Encolhidos
Doentes
Nem sem
Se mentires direito juras impossíveis
Mesmo que já sei o que escondes
Ficarei.
Senão,
fico só.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Manhã
Pela manhã é quando a realidade fica mais real
O silêncio do facho de sol pela sala ilumina tudo que se foi e o que virá também
Fica nua a dureza que só encontramos na sobriedade e solidão das manhãs vazias
Eu aqui de manhã, aguardo o dia que já promete quente anunciado pelos pássaros
Com cheiro de noite, geléia e café
Este dia já anuncia chatices, prazeres e trago as tristezas
Com o cigarro que não aprendi a fumar
Essas bem vivas, da última semana
Deslocalizo-me no meu tempo
Vivo ainda minha noite recheada de manhã, pés e presenças
Presa agora por este fio de tempo presente
Se eu soubesse diria e se existisse fumaria
O silêncio do facho de sol pela sala ilumina tudo que se foi e o que virá também
Fica nua a dureza que só encontramos na sobriedade e solidão das manhãs vazias
Eu aqui de manhã, aguardo o dia que já promete quente anunciado pelos pássaros
Com cheiro de noite, geléia e café
Este dia já anuncia chatices, prazeres e trago as tristezas
Com o cigarro que não aprendi a fumar
Essas bem vivas, da última semana
Deslocalizo-me no meu tempo
Vivo ainda minha noite recheada de manhã, pés e presenças
Presa agora por este fio de tempo presente
Se eu soubesse diria e se existisse fumaria
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
A-tuA
em ciclo ascendente
espiral amorosa
recoberta deste suor
melodioso
que só assim ouço
derretimento comprometido
junta-me os pedaços
com toda sua ajuda possível e inesperada
tô maior que eu amor meu
espiral amorosa
recoberta deste suor
melodioso
que só assim ouço
derretimento comprometido
junta-me os pedaços
com toda sua ajuda possível e inesperada
tô maior que eu amor meu
domingo, 14 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
MOvER
O encontro que move o mundo é movido pelo que mora e se esconde aqui,
entre as minhas mãos e seus cabelos.
Eu espero desmovida você vir, assim que partes.
Fazem parte de mim pedaços de vento que giram meu moinho
que constrói meu mundinho,
feito dos pés que se enroscam a cada limite desta moenda.
entre as minhas mãos e seus cabelos.
Eu espero desmovida você vir, assim que partes.
Fazem parte de mim pedaços de vento que giram meu moinho
que constrói meu mundinho,
feito dos pés que se enroscam a cada limite desta moenda.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
o grande M
Menor que a pulga serve-se a criatura tolhida de suas potências, nudezas, prazeres e carnes.
Mesmo quando a fome arrebata dos pés às bocas.
Manto fumacento sem sinal de partida, ilumina qualquer sinal de saída neste caminho.
Mulher segue só, o que só seu, só sexo, com mais sol, pode servir, como serva e condessa, simultaneamente.
Mas arrepende não atender às próprias e impróprias sutilezas, mesmo que gritem em silêncio.
Mania de morder o que se aproxima desde quando se aprendeu ferida, chaga remediada e cicatrizada.
Manter como estão, os trapiches, os mares e embarcações, para o risco em controle, desejoso de jorro.
Meio viva, mesmo que morta, faces a escolher para a vida réptil na água e na terra.
Mesmo quando a fome arrebata dos pés às bocas.
Manto fumacento sem sinal de partida, ilumina qualquer sinal de saída neste caminho.
Mulher segue só, o que só seu, só sexo, com mais sol, pode servir, como serva e condessa, simultaneamente.
Mas arrepende não atender às próprias e impróprias sutilezas, mesmo que gritem em silêncio.
Mania de morder o que se aproxima desde quando se aprendeu ferida, chaga remediada e cicatrizada.
Manter como estão, os trapiches, os mares e embarcações, para o risco em controle, desejoso de jorro.
Meio viva, mesmo que morta, faces a escolher para a vida réptil na água e na terra.
domingo, 7 de dezembro de 2008
quase HAI KAI DE DOMINGO
DORMI CHEIRANDO À INTIMIDADE
ACORDO SABOR CAMA
PRA ESSE DIA MOLHADO
O SOL DA MINHA IDADE
PÕE SÓ AMOR
NESTE CORPO QUE ME FOI DADO
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
SObre SEr
Nos intervalos lutaram os que se queriam humanizados
Durante, aceitavam os que se queriam calados
Depois, desesperaram. Todos.
Entre o seu céu e a nossa terra
Os caminhantes passam
Ora vazios
Ora entretidos
Ora entre estranhos
Ora sem entranhas
Aos imbuídos de sonhos
Sempre se quiseram
Ser o que se eram.
Durante, aceitavam os que se queriam calados
Depois, desesperaram. Todos.
Entre o seu céu e a nossa terra
Os caminhantes passam
Ora vazios
Ora entretidos
Ora entre estranhos
Ora sem entranhas
Aos imbuídos de sonhos
Sempre se quiseram
Ser o que se eram.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
na selva com che
Com a idade venho aprimorando minha vulgaridade
Por simples fadiga da falsa moralidade,
que banha os contratos, os burrocráticos e principalmente os democráticos
Por simplesmente não achar possível a neutralidade
Dos bons modos, que higieniza o contato e deixa todo mundo
Com sorriso amarelo
Cara de bunda
De pastel amanhecido na vitrine
O asseio burguês é tão limpo que dá nojo
Esquiva da merda, privatiza o drama
Mas o pé sempre enfiadinho na lama
Sem frescura,
mas jamais perder la ternura!
Por simples fadiga da falsa moralidade,
que banha os contratos, os burrocráticos e principalmente os democráticos
Por simplesmente não achar possível a neutralidade
Dos bons modos, que higieniza o contato e deixa todo mundo
Com sorriso amarelo
Cara de bunda
De pastel amanhecido na vitrine
O asseio burguês é tão limpo que dá nojo
Esquiva da merda, privatiza o drama
Mas o pé sempre enfiadinho na lama
Sem frescura,
mas jamais perder la ternura!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Tecos
Sequer posso dizer não ao que não quero
Requer paciência ao que não se pode mover
Prefiro acreditar nisso, do que saber que fracassei
O que é certo é que perdi
Apenas nos lembra o buraco que é existir
Como gente neste mundo indigente e anti-gente
Não tente me fazer sorrir...sem mundo faz-de-conta
O fatalismo que cedo conheci me joga no devir
Mesmo que cabisbaixo, com as mãos sujas de lama
Nem deus sabe
Cato meus tecos hoje
Tento, juro que tento inteiro amanhã,
te encontro lá, lá no bo-teco!
Lá na rua da consolação
Requer paciência ao que não se pode mover
Prefiro acreditar nisso, do que saber que fracassei
O que é certo é que perdi
Apenas nos lembra o buraco que é existir
Como gente neste mundo indigente e anti-gente
Não tente me fazer sorrir...sem mundo faz-de-conta
O fatalismo que cedo conheci me joga no devir
Mesmo que cabisbaixo, com as mãos sujas de lama
Nem deus sabe
Cato meus tecos hoje
Tento, juro que tento inteiro amanhã,
te encontro lá, lá no bo-teco!
Lá na rua da consolação
domingo, 30 de novembro de 2008
je suis
já me experimentei coisa
já me experimentei gente
já me dupliquei em mais
já saí e voltei de mim
já não me pertenci
já me agarrei ferrenho
já me vi na lata do lixo
já me vi em berço de ouro
já me envaideci
já me encarneci
já me ri
jamais me vi
tão de perto assim.
lá o sol é em si,
sem dó.
já me experimentei gente
já me dupliquei em mais
já saí e voltei de mim
já não me pertenci
já me agarrei ferrenho
já me vi na lata do lixo
já me vi em berço de ouro
já me envaideci
já me encarneci
já me ri
jamais me vi
tão de perto assim.
lá o sol é em si,
sem dó.
deseixo
nunca entendi o que vim fazer aqui
dou sentido ao meu resgate
com cada palavra, escrita, dita, dançada e tocada
que desconcretiza esta cadeira, esta mão, esses olhos
ao aprofundar a fenda poética
que me faz humano
não quero perder o bicho que sou
que urge no corpo, condutor polarizado de minha energia
quentura, suor, sangue e víscera rósea
ornitorrinco esquisito, fragmentado e descompreendido que me torno
com pena, bico e nadadeira
correndo em água para o nada por cansaço do tudo
deixo-me aqui
sem eixo
dou sentido ao meu resgate
com cada palavra, escrita, dita, dançada e tocada
que desconcretiza esta cadeira, esta mão, esses olhos
ao aprofundar a fenda poética
que me faz humano
não quero perder o bicho que sou
que urge no corpo, condutor polarizado de minha energia
quentura, suor, sangue e víscera rósea
ornitorrinco esquisito, fragmentado e descompreendido que me torno
com pena, bico e nadadeira
correndo em água para o nada por cansaço do tudo
deixo-me aqui
sem eixo
Cantar
Cantava por todos os cantos
Porém nunca achava quem encantava
O pássaro do desdém
pousou com ousadia e ficou
Cantava aos mais infames
Cujo desencanto tornou coração em pedra,
Catei a flor da sensibilidade e murchou
Tentativa estéril em solo que quer infértil
No canto certo,
canto e encanto o meu mundo desenganado.
Porém nunca achava quem encantava
O pássaro do desdém
pousou com ousadia e ficou
Cantava aos mais infames
Cujo desencanto tornou coração em pedra,
Catei a flor da sensibilidade e murchou
Tentativa estéril em solo que quer infértil
No canto certo,
canto e encanto o meu mundo desenganado.
à Piaf
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Dedico às amigas issas
Em meio às Bardot(s) e Ana(s) que há em todas nós
Construo, destruo e reconstruo a mulher que faço de mim
Nas ladeiras de Santa Thereza, pudemos nos ouvir profanas
De puta que desejamos de nossas necessidades mundanas
O coração amornado pelo melhor chá de camomila
Que anoitece a dor, que tece ternura do olhar, no cuidar
Às vezes nós mesmas nos enchemos de ser mulherzinhas e somos então crianças
Entregues à brincadeira, que não faz fronteira do eu com você
Só agradeço por poder viver esse intenso amor
De pessoa em encontros caminhos
Criação de poesia com seis mãos
Na paz, na dor, mas sempre com flor
Lenine, Seu Jorge e Ney, fica para outro dia....
Construo, destruo e reconstruo a mulher que faço de mim
Nas ladeiras de Santa Thereza, pudemos nos ouvir profanas
De puta que desejamos de nossas necessidades mundanas
O coração amornado pelo melhor chá de camomila
Que anoitece a dor, que tece ternura do olhar, no cuidar
Às vezes nós mesmas nos enchemos de ser mulherzinhas e somos então crianças
Entregues à brincadeira, que não faz fronteira do eu com você
Só agradeço por poder viver esse intenso amor
De pessoa em encontros caminhos
Criação de poesia com seis mãos
Na paz, na dor, mas sempre com flor
Lenine, Seu Jorge e Ney, fica para outro dia....
sem
Tenho temor de perder o amor
Por esta vida que já sei de cór
Não vivo sem o seu fervor,
embora já sinta muita dor
Quando chego, já te espero de ontem
Apesar de amanhã já esquecer de hoje
Pudera domar a fera,
que longe de mim impera
Por esta vida que já sei de cór
Não vivo sem o seu fervor,
embora já sinta muita dor
Quando chego, já te espero de ontem
Apesar de amanhã já esquecer de hoje
Pudera domar a fera,
que longe de mim impera
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
high verso tech
Quando eu era criança não tinha computador (cara de espanto!)
Quando adolescente não tinha internet (óóóóóó!), nem blog
Quem inventou essa máquina
Inventou o tempo
Falou que ia passar
Eu não acreditei
Renasço real no virtual
Espremendo-me em atual
Quando adolescente não tinha internet (óóóóóó!), nem blog
Quem inventou essa máquina
Inventou o tempo
Falou que ia passar
Eu não acreditei
Renasço real no virtual
Espremendo-me em atual
NÃO
SOU VERSO
POR INCOMPETÊNCIA DE PROSA
SOU SÓ
POR INAPTIDÃO DE JUNTO
SOU CRIANÇA
POR HAVER ESQUECIDO CRESCIDO
SOU COMILÃO
POR DESCONTROLE DA GULA
SOU REMÉDIO
POR NÃO HAVER PREVENÇÃO
SOU ATRASO
POR DESISTIR DO TEMPO
SOU VIOLÊNCIA
POR DESAPRENDER CARINHO
SOU EGOCENTRISMO
POR ESQUECER DO OUTRO
SOU DISFARCE
POR PURA DOR DE SER-ME
SOU MEU
POR NÃO CONSEGUIR SEU
DESCREVO A FALÊNCIA
PARA ENCONTRAR DECÊNCIA
EM TANTA INCOERÊNCIA.
POR INCOMPETÊNCIA DE PROSA
SOU SÓ
POR INAPTIDÃO DE JUNTO
SOU CRIANÇA
POR HAVER ESQUECIDO CRESCIDO
SOU COMILÃO
POR DESCONTROLE DA GULA
SOU REMÉDIO
POR NÃO HAVER PREVENÇÃO
SOU ATRASO
POR DESISTIR DO TEMPO
SOU VIOLÊNCIA
POR DESAPRENDER CARINHO
SOU EGOCENTRISMO
POR ESQUECER DO OUTRO
SOU DISFARCE
POR PURA DOR DE SER-ME
SOU MEU
POR NÃO CONSEGUIR SEU
DESCREVO A FALÊNCIA
PARA ENCONTRAR DECÊNCIA
EM TANTA INCOERÊNCIA.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
CEM DIAS
Um homem no metrô cuspiu no chão, para todo mundo ver
Transparentes transeuntes no passeio
A greve dos bancários anuncia chove chuva, que toma o espaço em música
O garçom do café é o homem mais lindo que já vi e desejei
Tem dia que é só mais um depois do outro
Rock bem alto no fone de ouvido
Para suportar o tédio do que repete, chato no cotidiano
O olho vê o que se sente
Em combate à anestesia imposta do viver
Vem dia,
Antes da chegada da noite fria
Transparentes transeuntes no passeio
A greve dos bancários anuncia chove chuva, que toma o espaço em música
O garçom do café é o homem mais lindo que já vi e desejei
Tem dia que é só mais um depois do outro
Rock bem alto no fone de ouvido
Para suportar o tédio do que repete, chato no cotidiano
O olho vê o que se sente
Em combate à anestesia imposta do viver
Vem dia,
Antes da chegada da noite fria
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
MONÓLOGO
Platão elucubrou
Sócrates meteu-lhe um gol
Freud interpetrou
Lacan interditou
Nietzsche humanizou
Moreno encenou
Meu ser-aí se encantou
Criatividade encaixotada
Dentro da caixa havia um líquido,
escorria pelas frestas,
cortava caminho
Tomava a forma sem forma de fora,
enquadrava a forma dura de dentro.
O tempo era seu aliado e inimigo.
Quanto mais resolvesse correr mais escorria,
mas mais livre brotava.
Planta, azul, tatu
e nova forma tomava,
ora mole ora dura.
Se livre, inútil.
Quem sabe pra quem?
Ninguém.
Se alguém, presa
e encomendada.
escorria pelas frestas,
cortava caminho
Tomava a forma sem forma de fora,
enquadrava a forma dura de dentro.
O tempo era seu aliado e inimigo.
Quanto mais resolvesse correr mais escorria,
mas mais livre brotava.
Planta, azul, tatu
e nova forma tomava,
ora mole ora dura.
Se livre, inútil.
Quem sabe pra quem?
Ninguém.
Se alguém, presa
e encomendada.
domingo, 9 de novembro de 2008
O tratado que escrevo se dissolve no segundo seguinte
A teoria que explica a prática se desatualiza a cada nova ação
Minha ciência me confunde a cada tentativa explicação
A compreensão já nasce desentendimento pelo descompasso de tempo
Entre o que é arrastado e o vento
Professor cristaliza o que tenta significado
Quando versa oral o estratagema que exemplifica no poema
No entanto logo simplifica o que se sente de complicado
Guardo meu não saber com orgulho e certo descaso
A teoria que explica a prática se desatualiza a cada nova ação
Minha ciência me confunde a cada tentativa explicação
A compreensão já nasce desentendimento pelo descompasso de tempo
Entre o que é arrastado e o vento
Professor cristaliza o que tenta significado
Quando versa oral o estratagema que exemplifica no poema
No entanto logo simplifica o que se sente de complicado
Guardo meu não saber com orgulho e certo descaso
Desapreço
A cada passo me pergunto se certo ou descaminho
A cada erro me pergunto se destino ou cegueira
A cada olho uma visão
Porque em cada coração, em cada tempo, em cada lugar
uma desilusão
como alusão apológica aos que virão
Surge como verso avesso na contra-mão
Quem escreve já desacredita
Deixa a solução para quem fica
A cada erro me pergunto se destino ou cegueira
A cada olho uma visão
Porque em cada coração, em cada tempo, em cada lugar
uma desilusão
como alusão apológica aos que virão
Surge como verso avesso na contra-mão
Quem escreve já desacredita
Deixa a solução para quem fica
sábado, 8 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
pitadas
O que há de Oslo em Alagoas?
O que há de poesia na prosa?
O que há de dinastia na anarquia?
O que há de democracia na alforria?
O que há de matemática na gramática?
O que há de tântrico no cosmo?
O que há sereno no trânsito?
O que há de Augusta na Cidade Jardim?
O que há de começo no fim?
O que há dele nela?
O que há de eu em mim?
O que há de poesia na prosa?
O que há de dinastia na anarquia?
O que há de democracia na alforria?
O que há de matemática na gramática?
O que há de tântrico no cosmo?
O que há sereno no trânsito?
O que há de Augusta na Cidade Jardim?
O que há de começo no fim?
O que há dele nela?
O que há de eu em mim?
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Textículo
O bebê precisa da mãe. Dizem alguns que a chupeta, dedo, mamadeira, são o substituto que ele arranja para a mãe, que de pele, vai ficando cada vez mais ausente. O mundo cada vez mais presente. Como um primata, o bebê humano é o mamífero que mais tempo demora para independer. Parecido com ele somente nossos primos distantes, os chimpanzés. O mundo aos poucos vai tratando de cuidar como pode e os humanos nele se agarram da mesma forma. Cada um pode de um jeito. Sabe que o mundo por vezes não trata seus humanos lá aquelas coisas, condição recíproca dos humanos para com o mundo. Pensei tudo isso para dizer que hoje me deparei com um homem sem mundo, deitado na mureta do supermercado, dormindo ao sol chupando dedo. Tive vontade de mãe por vê-lo vontade de filho.
sobre os anos
Nasci quando ouvi o tirlintar dos seus quadris,
quando logo olhou para mim,
acariciou com os olhos,
fez-se presença no ar,
com todo o peso do tamanho exato do afeto bom.
Nasci mais uma vez,
como nos últimos anos tenho feito,
a cada morte, petit ou grand,
bleu ou blanc
no espaço entre as presenças e ausências.
Nasci como pseudônimo,
rascunho esboçado em palavras, na superfície delas,
com ligeira melancolia aquarelável, diluível,
nos dias-noites,
é nas legendas que sobrevivo....
Traduzindo-me.
Perdão, obrigada e para você também.
quando logo olhou para mim,
acariciou com os olhos,
fez-se presença no ar,
com todo o peso do tamanho exato do afeto bom.
Nasci mais uma vez,
como nos últimos anos tenho feito,
a cada morte, petit ou grand,
bleu ou blanc
no espaço entre as presenças e ausências.
Nasci como pseudônimo,
rascunho esboçado em palavras, na superfície delas,
com ligeira melancolia aquarelável, diluível,
nos dias-noites,
é nas legendas que sobrevivo....
Traduzindo-me.
Perdão, obrigada e para você também.
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