comeste toda uma constelação de palavras do idiomaterno (e engoliste a mãe também)
moram em ti, em cada prega,
em cada célula de banha,
a se acumular num corpo-envelope
- o próprio corpo cheio de letras,
histórias (sem pé nem cabeça, com começo/meio/fim, e sem fim)-
histórias tuas,
histórias alheias,
emprestadas, roubadas,
imprestáveis
elas se aglutinam, se unem,
se engancham umas às outras
gritam em forma de som,
vomitado pela porta-boca sem parar
meus ouvidos e penicos perdidos - já sem ouvir
ainda tentam acompanhar seus quilômetros discursivos funestos
(esses se fazem para que ninguém os ouça)
acabaste com as palavras do mundo
e as crianças não aprenderam a brincar de falar
- essas então devem ser as últimas palavras
eu prestes a descobrir sua palavra-chave
que cala a porta da tua loucura sem cura
e abre a janela da tua alma - talvez pouca e oca