O QUE SERIA DE VOCÊ SEM TU,
O QUE SERIA D'EU SEM MIM.
O QUE SERIA DE VOCÊ SEM MIM,
O QUE SERIA DE TU SEM EU.
FRAGMENTO DE EU EM VOCÊ,
TU INTEIRO EM MIM.
PARA ONDE EU NÃO VOU TU NÃO ESTÁS,
ONDE TU ESTÁS TOMO VOCÊ PARA MIM.
NUNCA SEMPRE FOI ASSIM.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
inglês nem vê!
someone
sempre some
baby!
você se fucked
continuo aqui, bem here
come darling
come com a mão
I wish
ishiiiiiiiiiiiiiiiiiii
vixiiiii
um kisssssssss
wish
ishiiiiiiiiiiiiii
vixi
vinhetas animalescas
entro na caverna
quando o lobo come a perna
ovelha
tigresa
uma põe a outra na mesa
na conversa com a lontra
há sempre o do contra
boi servido no prato
até o dia que quem come o hómi é o pato
manchete: pitt bull mostra o dente
e come o dono "acidentalmente"
papagaio educado
manda do dono pro caralho
fui pescar lambari
um entrou na minha boca
e vivo o engoli (quase morri)
voltei logo para minha jaula (o 43 blocoA)
meu dono trancou e levou a chave
Ufa!
o choro do ontem
é o sangue que corre no hoje
economizando o suor de amanhã
por isso mi corazon és líquido
oxigênio no entra e sai dos orifícios
troca transparente dentro-corpo-casa
com fora-mundo-poluído
por isso mi peito gasoso
abóboras (inhas e ões) povoam minhas ideinhas
regadas com alecrim em dia de festa
(acompanha água em franca ebulição e sobre a mesa a rapa é dura)
por isso mi bocarra és sólida
som azul (blues) que inunda onda aérea
de drum'n'base com jazz do lounge
samba o cartola, sem firula, pretinha
por isso meus pés dançantesssssssssssssssssss
danço antes, danço logo que penso
é o sangue que corre no hoje
economizando o suor de amanhã
por isso mi corazon és líquido
oxigênio no entra e sai dos orifícios
troca transparente dentro-corpo-casa
com fora-mundo-poluído
por isso mi peito gasoso
abóboras (inhas e ões) povoam minhas ideinhas
regadas com alecrim em dia de festa
(acompanha água em franca ebulição e sobre a mesa a rapa é dura)
por isso mi bocarra és sólida
som azul (blues) que inunda onda aérea
de drum'n'base com jazz do lounge
samba o cartola, sem firula, pretinha
por isso meus pés dançantesssssssssssssssssss
danço antes, danço logo que penso
domingo, 26 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
VERSÃO diversão
se tu foste inconsequente, eu também
se tu criança, eu mais ainda
a vida nos prepara
diversão e amizade
se a noite foi só uma
nunca acabou
a música me dança
somente para você
se tu quiseres mais, eu ainda não sei
se tu não fosse tu
o amor ia tão bem
bem de bem querer e comigo mais de cem
se tu criança, eu mais ainda
a vida nos prepara
diversão e amizade
se a noite foi só uma
nunca acabou
a música me dança
somente para você
se tu quiseres mais, eu ainda não sei
se tu não fosse tu
o amor ia tão bem
bem de bem querer e comigo mais de cem
domingo, 19 de outubro de 2008
Maria do Sempre
Acordei grávida
Embarrigada de Maria
Quando nasceu, Maria das Dores do Parto
Quando gritou, Maria Aparecida
Quando batizou, Maria da Conceição
Quando criança, Maria das Graças
Quando adolesceu, Maria-vai-com-as-outras
Quando moça, Maria dos Prazeres
Quando desceu a ladeira, Maria do Carmo
A licença maternidade não dura a eternidade
Chamaram para cuidar então Dona Maria
Porque o trabalho resolve a necessidade
Maria Júlia, a jornalista
Maria Clara, a psicanalista
Maria Angélica, a dentista
Maria Joana, a advogada
Maria Flor, a poetisa
Maria Claudia, a professora
O mundo das Marias
vira pura alegria com a chegada de João
De tão bebê, transborda o coração
Embarrigada de Maria
Quando nasceu, Maria das Dores do Parto
Quando gritou, Maria Aparecida
Quando batizou, Maria da Conceição
Quando criança, Maria das Graças
Quando adolesceu, Maria-vai-com-as-outras
Quando moça, Maria dos Prazeres
Quando desceu a ladeira, Maria do Carmo
A licença maternidade não dura a eternidade
Chamaram para cuidar então Dona Maria
Porque o trabalho resolve a necessidade
Maria Júlia, a jornalista
Maria Clara, a psicanalista
Maria Angélica, a dentista
Maria Joana, a advogada
Maria Flor, a poetisa
Maria Claudia, a professora
O mundo das Marias
vira pura alegria com a chegada de João
De tão bebê, transborda o coração
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Endereçado de encruzilhada
Ô tia Didi...
Porque não viras bruxa pra sanar o presente
Cartomante pra ver o futuro
Mãe de santo pra diluir o passado?
Affff, filha de ogum
Misifi!
êÊ
Porque não viras bruxa pra sanar o presente
Cartomante pra ver o futuro
Mãe de santo pra diluir o passado?
Affff, filha de ogum
Misifi!
êÊ
Extrovertida para dentro
Com você, o burocrático
Com os outros, o performático
Como histérica
Sozinha, enfadonha
Com lóri sob a fronha
No dia em que ela se colocou " se eu fosse eu"
Viu que sempre se removeu
Ela se derreteu e eu concluo que fudeu
O sexo ginástico
O encontro midiático
Deforma a forma aleatória
que também sei e sei que você sabe
Estou me preparando,
pode vir,
vem manso, mas vem
Enquanto isso olho a maçã, mordo a pera
e fico com cheiro de alho dos meus dedos
Quando enfiei no buraco quente e molhado,
as bactérias não tinham nada para me falar
Amistosamente saí
Ainda tento, daqui mesmo
Com os outros, o performático
Como histérica
Sozinha, enfadonha
Com lóri sob a fronha
No dia em que ela se colocou " se eu fosse eu"
Viu que sempre se removeu
Ela se derreteu e eu concluo que fudeu
O sexo ginástico
O encontro midiático
Deforma a forma aleatória
que também sei e sei que você sabe
Estou me preparando,
pode vir,
vem manso, mas vem
Enquanto isso olho a maçã, mordo a pera
e fico com cheiro de alho dos meus dedos
Quando enfiei no buraco quente e molhado,
as bactérias não tinham nada para me falar
Amistosamente saí
Ainda tento, daqui mesmo
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
PERFIL EM BLOCO
um pouco moreno
um pouco leminski
um pouco freud
um pouco fellini
um pouco lóri
um pouco clarice
um pouco doce
um pouco fanzine
de tudo em pouco
o pouco é muito
um pouco leminski
um pouco freud
um pouco fellini
um pouco lóri
um pouco clarice
um pouco doce
um pouco fanzine
de tudo em pouco
o pouco é muito
Vira tripa
eu falange
você esparadrapo
eu engolindo
você finge que é trapo
eu flagrando
você entra no mato
eu vi grande
você porta retrato
eu rolando
você em desacato
"nóis" não têm
acabou o vintém, meu bem
você esparadrapo
eu engolindo
você finge que é trapo
eu flagrando
você entra no mato
eu vi grande
você porta retrato
eu rolando
você em desacato
"nóis" não têm
acabou o vintém, meu bem
TECITURA
conversa frenética
conhece a pressa
de quem no fundo profética
formosura de criatura
vem rápido pra labuta
antes mesmo da fartura
falo com candura
mesmo que não entenda
sobre o que nada sei
ai ai ai, a vida dura...
conhece a pressa
de quem no fundo profética
formosura de criatura
vem rápido pra labuta
antes mesmo da fartura
falo com candura
mesmo que não entenda
sobre o que nada sei
ai ai ai, a vida dura...
verbo irregular
domingo, 12 de outubro de 2008
Quem tem amigo de umbigo
É o membro da família escolhido
Está sempre protegido
Por esse amor antigo e infinito
De perto sente longe
De longe sente sempre
Lá dentro guardado
A lembrança e o guardanapo
Dos dias deitados no mato
Dos mergulhos no mar aberto
Das conversas de assuntos secretos
Inspirado o futuro de estar junto
O agora se confere em companhia
Gostosa e eternizada no coração e no sempre
É o membro da família escolhido
Está sempre protegido
Por esse amor antigo e infinito
De perto sente longe
De longe sente sempre
Lá dentro guardado
A lembrança e o guardanapo
Dos dias deitados no mato
Dos mergulhos no mar aberto
Das conversas de assuntos secretos
Inspirado o futuro de estar junto
O agora se confere em companhia
Gostosa e eternizada no coração e no sempre
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A-LUGAR ou HÁ LUGAR?
nos insterstícios da cidade
na dobra entre uma coisa e outra
no não lugar
entre o minhocão e o viaduto
entre a rua e o prédio
nos vãos do nada para o nada
coloca-se o abismo do que se quer esconder
encontram-se pessoas de não lugar
pessoas que se perdem como gente
gente que ganhou o nome que soma índio com gente
indigente, não gente
porque não gente-como-a-gente?
a cidade orgânica contrói veias para suas gentes
passar, se alocar, transitar, morar
mas há gentes que ficam fora
e a cidade se monta cada vez mais separada
condomínio, pandemônio empilhado
que finge segurado e empobrece o contato
cada vez mais estanque a diferença do dentro e do fora
do quê mesmo?
que só aumenta a dobra e a borda, que tece fronteira
delimita, empobrece e emburrece
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
ESCOND'EU
FLA FLU EM BLÁ
(Briga) entre parênteses
não meter-lhe-ei mesólise no meio
Fecho aspas" e saio fora
Dou um tempo
na outra linha
parágrafo, travessão
Aquele sujeitinho da oração
ora concorda direto, ora indireto
Em questão de concordância,
nem com a regência verbal.
Ela manda, o verbo submete
No confllito tônico
o fonema do afeto dá o tom
e eu corro largo, em pausa, para o ponto final.
O estado do civil
Não dispenso minha calcinha velha
Gosto mesmo é de música brega
Sensual é primeiro para mim
Nem sempre para você sou assim
Mexendo o brigadeiro na panela
Pensando em deixar a casa sob a luz das velas
Espero você deitada no corredor
Você sempre como bom ator
Representa o que se espera
Na rotina do palco, ação e reação
Roupa no varal, criança na escola
Na geladeira a coca-cola
Remendo o dia
Refaço a sujeira
Coloco tudo de bandeja
Segura a peteca junto assim
Mais junto, perto mesmo
Coladinho, corpo encaixado
Roçando, pé com pé
A mesma toalha, que seca a chuva e a lágrima
O acordar, o dormir
o viver
o viver com
o conviver
Não faz caso do acaso
Senão caso mesmo por contrato
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Diagnóstico fashion week
E o médico decretou: bipolar
Ora assim, ora assado, ora frito, ora cozido
Ora azul, ora amarelo
Cor da hora, hora que enrola
Numa hora deita e rola, outra hora baixa a bola
Mas só BI ora bolas ?
A bola rola,
uma hora a face negra outra hora face branca
a grama toca
Poliglota,
tri, quadri, polipolar
dos pólos ao centro em circunferência que irradia
forma, calor e cor
ora ora ora...às vezes penso que é lorota
do barulho ao silêncio...psiu!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
noite morta-dela
o abraço que faço
tem gosto de moça de fino trato
anda e tira o laço
a fita amarela
logo vi na janela
enquanto garçon beijava a boca dela
berço fogoso
coloca o moço
quando penso, embaraçoso
tem gosto de moça de fino trato
anda e tira o laço
a fita amarela
logo vi na janela
enquanto garçon beijava a boca dela
berço fogoso
coloca o moço
quando penso, embaraçoso
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Proletariando
engoli proletário. por indigestão regorgitei empresário
que por infortúnio paga meu salário
diz que tem família, mas foste um belo salafrário
vivo pensando quem disse que o mundo deve ser assim
nasci e acreditei o que enfiaram pra mim
que nobre é o idiota que trabalha sem fim
o salário mal dá pra coisa toda do mês
diversão quase não tem vez
a mulher e mamãe não entendem minha insensatez
já compraram a idéia da novela que pra ser feliz nasça burguês
o seu joaquim do boteco não faz fiado nem pro freguês
estou disposto a não mais agüentar a sofreguidão
não pode ser que Deus me pôs na vida pra esse papelão
de aguentar os caprichos do patrão
e ainda assinar a carta de demissão olhando pra cara daquele bundão
'xá comigo que vamos descolar logo o tostão
quero ter a vida descomprometida de coisa sem valor
porque não ter mais dignidade no labor?
quem foi que disse que tenho que aguentar tanta dor
agora a palhaçada tem até nome: colaborador, colabora com a dor
assino logo essa carta, que pra mim é de alforria
vou então fazer meu dia
sem medo da correria
quem sabe até com a euforia
de também ser patrão um dia
num é que Marx tava certo
a prole proletária quer mesmo virar algoz
será que quando a luta de classes acabar o mundo vai ter fim?
que por infortúnio paga meu salário
diz que tem família, mas foste um belo salafrário
vivo pensando quem disse que o mundo deve ser assim
nasci e acreditei o que enfiaram pra mim
que nobre é o idiota que trabalha sem fim
o salário mal dá pra coisa toda do mês
diversão quase não tem vez
a mulher e mamãe não entendem minha insensatez
já compraram a idéia da novela que pra ser feliz nasça burguês
o seu joaquim do boteco não faz fiado nem pro freguês
estou disposto a não mais agüentar a sofreguidão
não pode ser que Deus me pôs na vida pra esse papelão
de aguentar os caprichos do patrão
e ainda assinar a carta de demissão olhando pra cara daquele bundão
'xá comigo que vamos descolar logo o tostão
quero ter a vida descomprometida de coisa sem valor
porque não ter mais dignidade no labor?
quem foi que disse que tenho que aguentar tanta dor
agora a palhaçada tem até nome: colaborador, colabora com a dor
assino logo essa carta, que pra mim é de alforria
vou então fazer meu dia
sem medo da correria
quem sabe até com a euforia
de também ser patrão um dia
num é que Marx tava certo
a prole proletária quer mesmo virar algoz
será que quando a luta de classes acabar o mundo vai ter fim?
lunar
delato meu egoísmo
desalimento meu vil heroísmo
espelhado nas ridículas partículas
do tempo dos meus dias
meus atos, com prefácio e glossário
descompreendem e incompletam o buraco que se torna toca de esconder
entro dentro, o avesso pra dentro
extermino ou enlouqueço
fervilho ou ofereço
o ego-ísmo lírico do precipício
desalimento meu vil heroísmo
espelhado nas ridículas partículas
do tempo dos meus dias
meus atos, com prefácio e glossário
descompreendem e incompletam o buraco que se torna toca de esconder
entro dentro, o avesso pra dentro
extermino ou enlouqueço
fervilho ou ofereço
o ego-ísmo lírico do precipício
domingo, 21 de setembro de 2008
Quadras de quatro
Teu convite ao exagero
Foste a peste da minha trama
Mas me tirou do desespero
Resgatou-me do meu interno drama
Quando me olhei no espelho
Colocado por outro na minha frente
Percebi que não preparei o enterro
Do que é preciso tirar da minha doente mente
Jogada ao abismo do abuso
Frequentemente envaidecida
Entregue a qualquer tipo de uso
Muito da desenxabida da vida
Sem esboçar compreensão
Faço esforço de pensar
Tomada de sedução
Dando ao outro a minha decisão
Foste a peste da minha trama
Mas me tirou do desespero
Resgatou-me do meu interno drama
Quando me olhei no espelho
Colocado por outro na minha frente
Percebi que não preparei o enterro
Do que é preciso tirar da minha doente mente
Jogada ao abismo do abuso
Frequentemente envaidecida
Entregue a qualquer tipo de uso
Muito da desenxabida da vida
Sem esboçar compreensão
Faço esforço de pensar
Tomada de sedução
Dando ao outro a minha decisão
domingo, 14 de setembro de 2008
A estética da língua
A compreensão do motivo pelo qual o chocolate causa tanto prazer em nossas bocas......talvez seja porque é uma gordura doce que se dissolve com o calor da língua em atrito com o céu da boca, que fica estrelado. É uma doçura marrom com um gosto particular único e forte que por produção da cultura apazigua o coração. Pode ter crocantinhos barulhentos, amêndoas que trazem a dureza repentina ou a fruta que soma o azedinho perfeito. Minha gata não come comida que não seja a dela, mas um dia a peguei abocanhando um presunto que estava sobre a mesa com a gula de quem sabe o que é bom. O chocolate nos supera da solidão bicho e nos iguala na busca da repetição do prazer, que nos move no tempo. Derrete, adoça e escurece a boca de desejo. Acho que comi a caixa toda.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
é a dor que dói em mim
Para a dor da alma não há prozac
Para a dor de cotovelo não há aspirina
Para dor de gulliver talvez haja birita
Para a dor do peito não há floral
Para a dor do pé não há samba
Pára a dor, por favor!
Para a dor de cotovelo não há aspirina
Para dor de gulliver talvez haja birita
Para a dor do peito não há floral
Para a dor do pé não há samba
Pára a dor, por favor!
A dor que dói
Mal-estar súbito
Não tão súbito pois muito claro está o porquê
É nó que desata, mas arranca sem dó
Nó tem dois lados, como nós
Uma coisa se aparta da outra
A rede entra em colapso
Uma mexida de um lado abala a rede
Que se fragiliza no que segura
Sentir-se um descarte
É como se nada mais aflorasse
Nada mais há que alguém e si próprio se interessasse
O presente fica diluído no passado
O sem futuro chega grande e pesado
A vontade de saber impede a morte como simulacro
Não tão súbito pois muito claro está o porquê
É nó que desata, mas arranca sem dó
Nó tem dois lados, como nós
Uma coisa se aparta da outra
A rede entra em colapso
Uma mexida de um lado abala a rede
Que se fragiliza no que segura
Sentir-se um descarte
É como se nada mais aflorasse
Nada mais há que alguém e si próprio se interessasse
O presente fica diluído no passado
O sem futuro chega grande e pesado
A vontade de saber impede a morte como simulacro
rai cai
aprendendo hai kai
sobre rimas, versos e estações
escolho a folha que cai
chegou ao Brasil a tradição
ensinaram a beleza
palavra curta do Japão
sobre rimas, versos e estações
escolho a folha que cai
chegou ao Brasil a tradição
ensinaram a beleza
palavra curta do Japão
sábado, 6 de setembro de 2008
sem título, tinta óleo
tenho preguiça, com sono e bunda
estoy só, vazio e ocupado
faço palavra, voz e desço música
canto azul, coisas e caos
soy hombre, maricas e fubá
lambo lerdo, incerto e profundo
durmo fanho, roto e lado estranho
escrevo tacanha, de verdade sem tamanho
aprendo como e quando verbo, substantivo ou adjetivo
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
hot dog cat
Cachorro vira lata
toma água turva da sargeta
Gato escaldado
ganha a oitava vida depois de rasgar o lixo
Dorme embaixo do carro
em cima do telhado
Ofereci comida de primeira
um rejeitou outro não quis
Porque a água suja e comida fula
tem o preço da liberdade sem coleira
Cachorro sempre quer um chamego passageiro
gato um olhar sorrateiro
Aproveita, tira uma casquinha, e vai embora,
ligeiro
toma água turva da sargeta
Gato escaldado
ganha a oitava vida depois de rasgar o lixo
Dorme embaixo do carro
em cima do telhado
Ofereci comida de primeira
um rejeitou outro não quis
Porque a água suja e comida fula
tem o preço da liberdade sem coleira
Cachorro sempre quer um chamego passageiro
gato um olhar sorrateiro
Aproveita, tira uma casquinha, e vai embora,
ligeiro
Declaração de alguma coisa
Bateu em minha porta, abri, jogou uma garrafa, do tipo jogada ao mar no náufrago, com o papel dentro.
Continha palavras doces, penetrantes, complicadas e perfumadas.
Sonada e sem entender, corri. Desci desenfreada,
com a porta aberta o gato fugiu, e não consegui nada na ponta da escada
Desconcertante como alguém sabe tanto sobre ti
ou há palavras universais que valem para qualquer um sorrir
Devaneiei como bonita o homem na frente
Achei tolo, vazio e esquisito
No meio do dia me peguei perguntando ao porteiro do prédio, ao bar da esquina
sobre o homem fugidio, esforçando-me por lembrar...sei que tinha cabelos escuros
mais alto do que meu horizonte e.......só
Por muitos dias pensei em todas as possibilidades, sem conclusão
Em pensamento, cada vez mais escasso, do incidente confusão
No mercado do bairro encontrei velha amiga
Entre o café e o pão de queijo ela me contou a mesma armação
Ao invés de garrafa era uma caixa
Hipnotizada como eu, escondeu do marido e se encheu de erotismo
Também nunca chegara a suspeita concreta, apenas notou que o colega de trabalho a paquera
Reconfortante é saber que de coisa parecida todos têm
Precisamos uns dos outros para saber que somos alguém
Continha palavras doces, penetrantes, complicadas e perfumadas.
Sonada e sem entender, corri. Desci desenfreada,
com a porta aberta o gato fugiu, e não consegui nada na ponta da escada
Desconcertante como alguém sabe tanto sobre ti
ou há palavras universais que valem para qualquer um sorrir
Devaneiei como bonita o homem na frente
Achei tolo, vazio e esquisito
No meio do dia me peguei perguntando ao porteiro do prédio, ao bar da esquina
sobre o homem fugidio, esforçando-me por lembrar...sei que tinha cabelos escuros
mais alto do que meu horizonte e.......só
Por muitos dias pensei em todas as possibilidades, sem conclusão
Em pensamento, cada vez mais escasso, do incidente confusão
No mercado do bairro encontrei velha amiga
Entre o café e o pão de queijo ela me contou a mesma armação
Ao invés de garrafa era uma caixa
Hipnotizada como eu, escondeu do marido e se encheu de erotismo
Também nunca chegara a suspeita concreta, apenas notou que o colega de trabalho a paquera
Reconfortante é saber que de coisa parecida todos têm
Precisamos uns dos outros para saber que somos alguém
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
sobre o dia em que nascemos
Embriaguez embaça a vista
Suportar o valor da minha classe média
Tradição burguesa, sustentar o status
fazer as vezes, sorrir, educar
Resta entorpecer,
com aparatos criados por nós mesmos
O ópio social serve a todos
A alguns para disfarçar camuflar
outros, para dar o pão
Desde que o mundo o é
os escapes não escapam à condição
de gente, doída, imperfeita, foragida, cambaleante
Somos eu e você
Suspenda um pouco a mentira
para nos salvar da imposição
Mais nobre, mais burra e mais fácil
a arte, a religião e o ópio
A educação e a civilidade
acham que nos imputaram muito bem
Todo domado tem um preço a pagar
Para a angústia quem nos ensinou?
Para a miséria quem nos tocou?
Para o desespero quem nos apartou?
Suportar o valor da minha classe média
Tradição burguesa, sustentar o status
fazer as vezes, sorrir, educar
Resta entorpecer,
com aparatos criados por nós mesmos
O ópio social serve a todos
A alguns para disfarçar camuflar
outros, para dar o pão
Desde que o mundo o é
os escapes não escapam à condição
de gente, doída, imperfeita, foragida, cambaleante
Somos eu e você
Suspenda um pouco a mentira
para nos salvar da imposição
Mais nobre, mais burra e mais fácil
a arte, a religião e o ópio
A educação e a civilidade
acham que nos imputaram muito bem
Todo domado tem um preço a pagar
Para a angústia quem nos ensinou?
Para a miséria quem nos tocou?
Para o desespero quem nos apartou?
Perco sono
Durmo sexo
Acordo fome
Como c(r)u Como cozido
Como frio Como quente
Como em pé Como sentido
Como bicho Como gente
Como duro Como mexido
Como com as mãos Como com os dentes
Como sado Como castigo
Como chuchu Como indiferente
Como só Como contigo
Como com boca Como de frente
Como devagar Como lascivo
Como você Como intensamente
Como forte Como exaurido
Se não tem fome sai da minha frente
É Como vício
Penso gorda apimentada
Saio toda engordurada
Febril e encarnada
De fome saciada
Com a cara deslavada
D’alma encapetada
Durmo sexo
Acordo fome
Como c(r)u Como cozido
Como frio Como quente
Como em pé Como sentido
Como bicho Como gente
Como duro Como mexido
Como com as mãos Como com os dentes
Como sado Como castigo
Como chuchu Como indiferente
Como só Como contigo
Como com boca Como de frente
Como devagar Como lascivo
Como você Como intensamente
Como forte Como exaurido
Se não tem fome sai da minha frente
É Como vício
Penso gorda apimentada
Saio toda engordurada
Febril e encarnada
De fome saciada
Com a cara deslavada
D’alma encapetada
fã-MINI-zine urbano
Augusta, sua puta, me fere
Consolação, meu bem, me afaga
Angélica, ingênua, se doa
Maria Antônia, de valor, corrompe a tradição
Entre a paulista e a Augusta
O Peixoto gomide
apertandinho, mas gomide
Tentando sua vez
Até concluir
Cidade, és mulher
Caótica, paradoxo,
Sedução
Não menos bela e necessária
Quem nunca se perdeu nas curvas da Bela Vista?
Consolação, meu bem, me afaga
Angélica, ingênua, se doa
Maria Antônia, de valor, corrompe a tradição
Entre a paulista e a Augusta
O Peixoto gomide
apertandinho, mas gomide
Tentando sua vez
Até concluir
Cidade, és mulher
Caótica, paradoxo,
Sedução
Não menos bela e necessária
Quem nunca se perdeu nas curvas da Bela Vista?
domingo, 31 de agosto de 2008
noite das crianças
gesto torpe
de quem procura nada
e nada nada no oceano do tudo
de tudo tanto que te cansa
criança corre de tanto que esgana
esmorece
ressaca
afasta o exagero do tempo do antes
exaustão com rebordoza e queijo
rio vazio
riso tamanho que dá mar
mar de milágrimas
nem o milagre salva
por isso em coro choro
de quem procura nada
e nada nada no oceano do tudo
de tudo tanto que te cansa
criança corre de tanto que esgana
esmorece
ressaca
afasta o exagero do tempo do antes
exaustão com rebordoza e queijo
rio vazio
riso tamanho que dá mar
mar de milágrimas
nem o milagre salva
por isso em coro choro
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
mais um diálogo com e por Leandra Niciolli
Parem essa porra de planeta...
Tá difícil respirar... Difícil não chorar...
É bom demais saber que há pelo menos alguém que sabe usar as palavras neste mundo de hipócritas...
Admiro sua coragem de expor tanta sensibilidade.Seja bem-vinda ao submundo da arte de escrever e, principalmente, de compreeender a amplitude das coisas mais ínfimas.
E dói... como dói...
Cibely diz: amém!
Tá difícil respirar... Difícil não chorar...
É bom demais saber que há pelo menos alguém que sabe usar as palavras neste mundo de hipócritas...
Admiro sua coragem de expor tanta sensibilidade.Seja bem-vinda ao submundo da arte de escrever e, principalmente, de compreeender a amplitude das coisas mais ínfimas.
E dói... como dói...
Cibely diz: amém!
reivindica cão
a vida do cão
ensina a falar um belo palavrão
manda um puta que pariuzão
depois de te tornares esse beberrão!
ensina a falar um belo palavrão
manda um puta que pariuzão
depois de te tornares esse beberrão!
PETIT MORT ET VIE
Na cidade encontrei corpos flutuantes
de olhos vazados e corpos desabitados
Enquanto meu peito flamejante
de corpo desejante e pulsante
A disciplina do desejo
põe o pensamento em movimento
enquanto o fora exige o nada
todos com cara de empilhamento
Assim desejo o tempo todo
quando fome, como
quando tesão, fodo
quando triste, engodo
quando alegre, estorvo
Os conhecidos sumidos
Os amigos ocupados
O calor necessitado
Vira coisa adormecida, que revira na cama
Nunca esquecida
Flor de tulipa, caule rijo, pétala entreaberta
Convida o irremediável instante de encontro
banhado de suor e palavras interrompidas
mecânica poética e frenética do gozo
A vida volta a ser cidade
Felizcidade leve e habitada
de olhos vazados e corpos desabitados
Enquanto meu peito flamejante
de corpo desejante e pulsante
A disciplina do desejo
põe o pensamento em movimento
enquanto o fora exige o nada
todos com cara de empilhamento
Assim desejo o tempo todo
quando fome, como
quando tesão, fodo
quando triste, engodo
quando alegre, estorvo
Os conhecidos sumidos
Os amigos ocupados
O calor necessitado
Vira coisa adormecida, que revira na cama
Nunca esquecida
Flor de tulipa, caule rijo, pétala entreaberta
Convida o irremediável instante de encontro
banhado de suor e palavras interrompidas
mecânica poética e frenética do gozo
A vida volta a ser cidade
Felizcidade leve e habitada
resumo anti-poético:
Tava andando na porra da cidade morrendo de fome
Um qualquer me deu um puta prato de macarrão
Entrei, comi, me lambuzei todinha, tava uma delícia
Saí mais gostoso do que entrei
A cidade menos porra
Tinha um vaso de tulipas
antropostalgia poética
Me lembrei de cheiros, vidas, rostos e sons do passado
Quando a leveza embriagava
- nos embriagávamos uns dos outros e das coisas
Vida secreta mas à mostra
Me espantei ao ver o tempo passar
Estampas, santas e profanas megeras
povoavam as tardes vazias
cheias de beleza inusitada
Encontros entorpecentes,
compromissos ausentes
Revelo meu segredo
Me coloquei naquele lugar para lembrar quem sou
Saber se quero as mesmas velhas coisas
Não sei mais ter ídolos
A beleza quando sentida na carne
não torna mais possível ser eu mesma
Impera que haja a transformação
Meu hoje é fazer legenda de minhas palavras palavras
Se sonoras, poesia
Se superfície, vazias
Se tocam, humildes
Se saltam, nasci
Quando a leveza embriagava
- nos embriagávamos uns dos outros e das coisas
Vida secreta mas à mostra
Me espantei ao ver o tempo passar
Estampas, santas e profanas megeras
povoavam as tardes vazias
cheias de beleza inusitada
Encontros entorpecentes,
compromissos ausentes
Revelo meu segredo
Me coloquei naquele lugar para lembrar quem sou
Saber se quero as mesmas velhas coisas
Não sei mais ter ídolos
A beleza quando sentida na carne
não torna mais possível ser eu mesma
Impera que haja a transformação
Meu hoje é fazer legenda de minhas palavras palavras
Se sonoras, poesia
Se superfície, vazias
Se tocam, humildes
Se saltam, nasci
domingo, 24 de agosto de 2008
Eternizo o silêncio das manhãs
o café preto com geléia
a organização das idéias
a tua inscrição no meu coração
O sol que entra fraco pela janela
a lembrança da noite anterior
o livro que me conduz a cantos distantes
meu corpo desfalecido pela cadeira
O lençol ainda quente
a respiração que renova
o pássaro canta
a cena está pronta
congelo-me de prazer
o café preto com geléia
a organização das idéias
a tua inscrição no meu coração
O sol que entra fraco pela janela
a lembrança da noite anterior
o livro que me conduz a cantos distantes
meu corpo desfalecido pela cadeira
O lençol ainda quente
a respiração que renova
o pássaro canta
a cena está pronta
congelo-me de prazer
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